27 de março de 2011

Mentira.


Minha imaginação paira sobre uma folha em branco, da qual sou incapaz de preenche-la com tudo o que foi dito ontem, ates de ontem e em todo esse tempo que eu esperava dividir minha respiração em paz. O que há nos teus olhos que eu não consigo enxergar? Nada, repito. Teus olhos mentirosos já virou uma maldita contradição da qual sou incapaz de debater.

Discursos simulados em conversas programadas, é só isso que acontece. E eu cansei. Creio, que ainda me sobra esse direito, o direito de jogar o cigarro ao chão e o amassa-lo com a ponta do sapato, antes mesmo de chegar a metade da fumaça tóxica e encorajadora que um usurário compulsivo deve-se chegar por cada unidade. Você não fuma! Disse, supondo que conhecia tudo sobre mim. Assumo que aquela suposição estava certa, eu tampouco fumo. Tenho rinite e um começo de asma, ambas hereditárias. Se trago, logo tenho crises horríveis da qual prende-me o ar dando-me uma sensação quase suicida, a mesma de quando te vejo do outro lado da rua com alguem que deveria ser eu. Faço questão de não chamar seu nome.

E por fim, digo-lhe que seu telefone não tocará, não por mim. Foi você quem quis assim! Grito em meio a esse quarto vazio. E já que quer tanto saber... Sim eu sou compulsiva. Compulsiva por por-lhe a culpa, mesmo sabendo que sou eu a culpada.

3 comentários:

  1. Noooossa Nati. Que profundo o texto e as palavras empregadas nele. Por vezes colocamos a culpa nas pessoas por nosso próprio fracasso. Assumir que estivemos errados o tempo todo é o difícil.
    Parabéns.
    Beijos

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  2. Bela escrita ainda que triste. Suponho, querida, que por você conseguir assumir a culpa, ainda que só para você, é um modo de começar a se libertar.
    Te acompanho agora.

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  3. Seria errado eu desejar ter escrito esse texto? Rs, procurei palavras pra deixar aqui e não consegui, então só uma coisinha: me indentifiquei.

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