6 de fevereiro de 2011

E a vida ensina com a sua sina.


Dia 31/01/07,
Nós nos esbarramos saindo pela catraca do carrocel e assim começamos a rir e a conversar, como se nós nos conhecemos a tempos, compatibilidade alta – literária e musical – fez fluir uma conversa de horas. Você se mostrava fraco, sempre fumando, e realmente deprimido, e eu só queria ajudar mais uma alma perdida.

Definitivamente eu me senti completa naquelas longas horas de conversas, cheguei a pensar que pudéssemos viver eternamente juntos, virei uma completa boba e frágil menininha louca por você.
Mas algo em você me preocupava, você suava frio e suas mãos pingavam gotas de desespero, eu chegava a ficar com calafrios quando você fixava o olhar nos meus olhos, chegava a prever que algo nesta noite não ia sair como nos contos novelísticos.

No final da festa, teus olhos não mentiam mais, todos já tinham ido embora quando as únicas palavras que eu ouvi sair da sua boca foi “me perdoe, eu juro que não queria que isso acontecesse com você, porém, sempre zelarei por ti, onde quer que eu esteja”, comecei a gritar, chamei ele de louco, e pedi para ele soltar meus braços, mas ele me segurava com tanta força, e eu só me debatia desesperadamente tentando fugir. Foi quando chegou três moços com um visual dark, com mascaras de couro, e segurando um machado nas mãos o ameaçando de morte dizendo algo como “chegou sua vez, agora você morrerá” achei aquilo tudo uma palhaçada, até quando um dos mascarados me segurou e os outros dois o agrediu cortando-o em pedaços - pode até parecer forte o que estou dizendo, mas imagina eu, a minha sensação de imponente naquela hora- sabia que viva não sairia dali, de repente os dois vieram para cima de mim e me bateram com algo -creio eu, a parte de madeira do machado.

Depois de três dias acordei num hospital, não conseguia enxergar mais nada, eles tiraram meus olhos, tinha certeza, e como pensava aconteceu. Quando o médico chegou, comentou com a minha mãe :
- Sua filha perdeu a visão e é irrecuperável, a química que a foi jogada nos olhos penetrou na córnea, não há mais nada a fazer, sinto muito.
Não tinha como reclamar, estou viva ainda, e depois de três anos voltei nesse carrocel só para ser uma despedida, pois depois de todo esse tempo, só agora sinto que vou poder viver minha vida, sem sofrer, e só agradecer por eu estar viva, apesar dos pesares.


Assinado Amanda,
dia 31/01/10.

- Pauta para o Bloínquês, 55ª edição Visual.

6 comentários:

  1. Tem o selo oficial aqui pra você : http://cerezaambulante.blogspot.com/p/selos.html
    Só seguir as 2 pequenas regras. Obrigada *--*

    ResponderExcluir
  2. Depois dessa,sou obrigado a sujar mais as páginas do meu blog com sangue.Gostei,machadadas, sempre são poéticas.

    ResponderExcluir
  3. A vida ensina de todas as fdormas possiveis, basta estarmos atentos para aprender. Beijo

    ResponderExcluir
  4. Cara, que cena que passou na mente agora *o*

    ResponderExcluir
  5. Bem forte e intenso. Gostei da maneira como você escreve.
    Parabéns!

    ResponderExcluir